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A Espanha tem conseguido manter sua unidade, apesar dos solavancos

04/10/2017 9:40 AM / Editorial / Atualizado em 04/10/2017 8:19 pm

Os tiros de Stephen Paddock, em Las Vegas, tiraram boa parte da atenção que se deveria dar ao momento histórico que estão vivendo Espanha e Catalunha. À parte o julgamento de quem está certo ou errado, ou o que de fato está por trás do movimento que quer desvincular a região da monarquia constitucional, que é o Reino de Espanha, é preciso se ater que há algo de novo na relação de ambas, que, certamente, trará marcas indeléveis.

A Catalunha é uma importante força econômica e, oficialmente, apenas uma das 17 comunidades autônomas espanholas, como são Andaluzia, Estremadura e Madri. O que lhe faz diferente é o fato de possuir história, cultura e língua próprias, assim como o País Basco e a Galícia. E isso não é pouco! Em última instância, é a busca por esse reconhecimento, de ser uma nação dentro de uma nação, com o catalão como língua preferencial nos usos da administração pública local e até mesmo a criação de um Poder Judiciário próprio, que tem inflamado milhões de catalães. A questão não é simples, daí dividir um país inteiro, opondo inclusive gente da própria Catalunha.

Por sua vez, até hoje o Estado espanhol tem conseguido manter sua unidade, ainda que sacudido de tempos em tempos por movimentos separatistas jamais inativados, como também são os casos da Galícia, Navarra e País Basco. A Constituição espanhola de 1978 conseguiu ajeitar a situação. Optou-se por dar relativa autonomia às diversas regiões em relação ao poder central, mas todas entendendo, em contrapartida, que, juntas, formam a “pátria comum e indivisível de todos os espanhóis”. Até aqui, esta premissa tem se mostrado verdadeira e vantajosa para aqueles que se encontram sobre este guarda-chuva multicultural. Ora ou outra tem gritaria e reação. Mas o diálogo faz em seguida com que todos retomem o caminho da razão. Ainda assim, é fato que há muitos elementos a separar a Catalunha de Madri. Mas, depois de cinco séculos, desde que o casamento de Fernando (de Aragão) e Isabel (de Castela e Leão) levou à expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica e à unificação dos diferentes reinos, ambas – Espanha e Catalunha – têm mais coisas a aproximá-las do que a separá-las.

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