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A luz apagou, o povo sumiu, mas a festa ainda não acabou

11/05/2017 11:11 AM / Editorial / Atualizado em 11/05/2017 11:11 am

Em Brasília, em São Paulo, em Guarulhos ou em qualquer lugar do Brasil, quarta-feira, 10, o olhar se voltava para Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se defendia diante do juiz federal de primeira instância Sergio Moro. O depoimento se encerrou, o frisson passou e até os 100 militantes guarulhenses do PT, que para lá foram, tomaram o caminho de volta.

E nem dá para fazer como o poeta Drummond e se perguntar: “E agora, José?” Porque embora a luz do palco tenha acabado e o povo tenha sumido do entorno do prédio da Justiça Federal, na Capital paranaense, a festa ainda não acabou. Certo é que, embora esse show tenha de continuar, boa parte dos cidadãos já está cansada deste enredo que não se conclui. O Brasil quer seguir em frente, principalmente os mais de 14 milhões de brasileiros desocupados ou os quase 30 mil guarulhenses que foram desligados apenas no primeiro trimestre deste ano e que certamente agora buscam nova colocação. Apesar da indústria sinalizar fraca recuperação, os demais setores da economia local vão demorar para apresentar bons resultados.

Mas enquanto alguns cães ladram, as reformas passam. E, embora necessárias, parecem por demais amargas e atingem a quem mais precisa de proteção do Estado. Não seria este o caso da reforma trabalhista? Segundo especialistas, tais medidas, ao contrário do que se apregoa, não devem diminuir o desemprego no País, para tristeza daqueles que se encontram nesta situação. Ainda tem a Lei 13.429, que permite que qualquer trabalhador seja terceirizado e, na prática, deve levar a salários mais baixos e cargas horárias mais altas. Enfim, a festa certamente ainda não acabou. E talvez não acabe até as próximas eleições, para desespero de uma população cansada de esperar por dia melhores.

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