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A Medicina no País é boa, mas a saúde deixa muito a desejar

24/11/2017 8:43 AM / Editorial / Atualizado em 24/11/2017 8:43 am

Há algo de errado com a Medicina do País. Não se trata de infraestrutura ou tecnologia, pois neste campo, o País está bem ranqueado em diversas especialidades, ainda que em função de algumas ilhas de referência. A questão está relacionada com a formação dos novos profissionais e ao fator humanístico, que parece não ser mais valorizado por uma nova geração de profissionais que estão chegando ao mercado.

O Estado de São Paulo também sofre desse mal. Mais da metade dos novos médicos que se submeteram a uma avaliação do Cremesp foi reprovada no último exame, referente a 2016. Mais de 70% dos 2.766 profissionais examinados de 30 escolas de Medicina – públicas e privadas – não conseguiram acertar o diagnóstico de hipoglicemia em recém-nascido ou a conduta adequada em caso de crise hipertensiva. Isso é ruim, mas fica péssimo quando se observa a forma fria e desrespeitosa como muitos destes profissionais se relacionam com sua razão de existir: o paciente.

O recente caso do médico Júlio César Leão, do Instituto de Olhos de Itumbiara, em Goiás, é uma síntese de muitos dos desmandos que não vêm a público. Nas imagens veiculadas primeiramente no Jornal Hoje, da Globo, o oftalmologista ofende uma repórter que o questiona quando fará um procedimento em uma paciente que está na fila, há um ano e meio, à espera de uma cirurgia de catarata. “Sabe que dia eu vou operar ela? O dia que eu quiser!”, esbravejou, para em seguida usar de um xingamento dos mais chulos, que, com certeza, não faz parte do juramento de Hipócrates, que um dia pronunciou. Leão e tantos outros demonstram estar longe de ser um médico humanizado, do tipo que ouve com interesse seus pacientes e que busca usar do seu poder e entendimento para o bem daqueles que o procuram. Certo é que se formam muitos médicos no Brasil, mas, infelizmente, muitos deles não praticam o que outrora prometeram. E isso não se cura com a suspensão por cinco anos da criação de cursos de Medicina no País, como o governo quer, mas exigindo mais daqueles que já existem e que venham a existir.

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