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A tão falada crise brasileira não é um fenômeno tão recente assim

09/10/2017 9:30 AM / Editorial / Atualizado em 09/10/2017 9:30 am

Nos últimos tempos, tanto o governo quanto a população atribuem à crise econômica todos os infortúnios do País. Porém, os problemas elencados em conversas informais, ou ainda proferidos em discursos oficiais, já existem no Brasil há muito tempo, o suficiente para não serem mais notados. Diferentemente do que é apregoado – de que as desigualdades sociais e econômicas irão, aos poucos, ser resolvidas a partir de “reformas” propostas por políticos – a origem do problema é evidente, a ponto de autoridades estrangeiras, além de especialistas,  apontarem para ela, propondo soluções.

Na última quinta-feira, 5, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama deu uma palestra em São Paulo. O primeiro líder negro da história de seu país afirmou que “a política é um reflexo da sociedade” que ela representa. Considerando isso, a população brasileira precisa se reinventar.

Quando se fala em sociedade, a imagem que vem à mente é das pessoas comuns, que pagam suas contas, que ralam todos os dias e que contam as moedas no fim do mês para poderem honrar suas dívidas e manter o “nome limpo”, como um patrimônio valioso. Porém, as dificuldades vividas pelas camadas mais humildes da sociedade existem pelo fato de uma minoria abastada deter grande parte das riquezas. As classes média e baixa pagam muito mais impostos, percentualmente na prática, do que as pessoas ricas. “As economias não crescem com sucesso quando se tem muita concentração de riqueza sem expansão da classe média”, disse Obama em São Paulo. O economista francês Thomas Piketty, que também esteve recentemente na capital paulista, reforçou o discurso, afirmando que “os países mais ricos se desenvolveram porque distrubuíram (suas rendas)”. São duas opiniões estrangeiras para um problema que não nos é estranho. Tanto para Obama quanto para Piketty redistribuir de uma maneira mais justa o muito que se produz no Brasil é o melhor caminho para resolver as mazelas nacionais. E isso não é tirar privilégios de quem historicamente os tem, mas é dá-los justamente a quem nunca os teve.

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