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A verdade, a vaidade e a dificuldade de abrir mão do poder

07/11/2017 8:30 AM / Editorial / Atualizado em 07/11/2017 8:30 am

Os ex-presidentes brasileiros precisam aprender qual é o papel deles como ex-presidentes. Depois de anos ocupando o cargo máximo da República, eles deixam o posto, mas resistem em abandonar o poder, como se percebe nos casos da José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Sarney cansou de disputar e ganhar a vaga ao Senado, até desistir em 2015. Collor está aí, firme e forte, apesar de cercado de acusações. Lula quer voltar. FHC é a voz política do PSDB. E Dilma, se derem chance, sai candidata em 2018.

FHC até tentou imitar os ex-presidentes norte-americanos, que, ao deixarem o posto, fundam uma biblioteca, escrevem suas memórias e assumem um papel mais institucional. O paulistano criou seu instituto,  lançou alguns volumes de seus Diários da Presidência, mas não consegue abrir mão de dar pitacos sobre os rumos do País e do seu partido. Embora vaidoso, FHC não é do tipo espalhafatoso, preferindo agir nos bastidores. Mas segue agindo, como resquício do poder que teve e que ainda tem. É tão complexo quanto paradoxal. É do tipo que ora diz que “não adianta tirar a Dilma” para posteriormente pedir sua renúncia. É do tipo que ora defende o governo Temer, dizendo que é frágil, “mas é o que tem” para em seguida pedir do atual presidente a “grandeza para renunciar”.

E se não houve renúncia nem afastamento de Temer, chegou então a hora de FHC não só pedir ao PSDB que abandone o governo que ajudou a montar como dar um ultimato, fixando a data para isso acontecer, até dezembro, por ocasião da convenção dos tucanos. Embora ex-presidente, FHC continua fazendo sua política diária, já pensando também nas próximas eleições. Faz de uma forma mais polida e, porque não, mais sofisticada, mas não difere dos demais ex-presidentes, que seguem almejando o retorno ao poder. É uma pena para o País, uma vez que, com a experiência de quem já esteve lá, cientes dos seus erros e acertos, eles ajudariam mais se empregassem parte dessa energia para ajudar a Nação e seu povo, e não apenas para o bem de si próprios, de seus partidos e de seus amigos.

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