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Bolsonaro tem imunidade para opinar, mas isso tem um custo

01/12/2017 8:46 AM / Editorial / Atualizado em 01/12/2017 8:46 am

Os nobres parlamentares brasileiros têm a proteção do artigo 53 da Constituição Federal, que assegura a eles a imunidade para poderem opinar, falar e votar livremente, conforme suas crenças e convicções, sem o risco de serem processados ou julgados por isso. Quebrar o propalado decoro é um perigo, mas falar barbaridades, dentro ou fora do Congresso, é da condição daqueles que ocupam um mandato de parlamentar. E se tem alguém que sabe muito bem usar desta importante prerrogativa é o agora presidenciável Jair Bolsonaro. A última deste deputado foi dizer que irá “distribuir fuzis para os proprietários de terra se defenderem contra invasões”, como medida para solucionar a delicada questão agrária do País.

Bolsonaro é uma figura midiática, do tipo que cresceu turbinado por suas polêmicas. Cada achaque que faz a um grupo ou uma pessoa o torna mais popular para alguns e, ao mesmo tempo, alvo da ojeriza de outros. Não é de hoje que se alimenta do escárnio às instituições e do desrespeito contra seus oponentes. Em 2010, o deputado Miro Teixeira teve de conter o colega Carlos Eduardo Vieira da Cunha (PDT-RS), que tentou avançar sobre o ex-militar, dentro da Câmara, porque este teria atacado a biografia de Leonel Brizola. Em maio de 1999, com apenas 44 anos, foi alvo de uma censura verbal e pública do então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, por defender o fechamento do Congresso. Na verdade, ele foi mais longe e talvez profético. Já na época, ele entendia que a democracia é uma “porcaria” e perguntado sobre o que faria se chegasse ao poder, emendou: “Daria um golpe no mesmo dia. [A democracia] Não funciona.”

O presidenciável pode ter tentado lapidar o seu discurso – ainda que sem sucesso –, se cercado de alguns cérebros e baixado o tom em sua “Carta aos Brasileiros”, mas isso não significa que tenha abdicado de suas convicções históricas. Sempre que fustigado, não consegue omitir quem realmente é e o que realmente pensa. Ainda bem que, para ele, existe a imunidade parlamentar, pois tem uma boca voraz a qual não tem medo de usar. Mas, como ensina a expressão popular, “o peixe morre pela boca”.

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