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Carteira assinada é resquício de um Brasil que não mais existe

01/09/2017 9:43 AM / Editorial / Atualizado em 01/09/2017 9:43 am

Os ventos são positivos e trazem esperança para 13,3 milhões de brasileiros que seguem na condição de desempregados. Os últimos dados da PNAD Contínua, divulgados ontem pelo IBGE, manteve a tendência de queda, rompendo a densa camada dos 13% de desempregados e chegando a 12,8% no trimestre iniciado em maio e encerrado em julho. E essa é uma boa notícia uma vez que, de todos os problemas que assolam o País, este é de fato aquele que mexe com a vida das famílias brasileiras. Por sua vez, afeta toda a escala produtiva, porque quem não tem trabalho consome menos. Uma pessoa sem emprego talvez não faça diferença para a macroeconomia. Mas milhões, sim. Afinal, a lógica é simples: menos emprego, menos renda, menos consumo, menos fabricação, fechamento de postos de trabalho.

Por ora não dá para celebrar, uma vez que o contexto revela uma realidade por demais dura e desafiadora. Ainda se exigirá muito esforço e tempo para que o País alcance um patamar aceitável neste quesito. No entanto, depois de um 2016, em que os números do desemprego subiram mês após mês, finalmente chegou 2017 e os mesmos dados negativos começaram a retroceder, mesmo que lentamente. Fechou-se o primeiro trimestre com 13,7% de desempregados e agora, 12,8%. Na prática, são cerca de 1, 5 milhão de pessoas fora da fila do desemprego. Mas, o dado mais revelador, já percebido nas pesquisas anteriores, é que os brasileiros, depois de uma longa e interminável crise, tiveram de aprender a se virar e dar o seu jeitinho para sobreviverem durante este período de tormenta.

Se no mercado houve falta de emprego formal, 468 mil pessoas enxergaram oportunidades na ocupação informal ou mesmo na atuação por conta própria, como preferiram 351 mil trabalhadores. Mas, evidentemente, depois da aprovação do projeto de terceirização, em março, e da Reforma Trabalhista, em julho, aquele tradicional emprego com carteira assinada talvez venha a se tornar um resquício de um Brasil que não mais existe. Agora é cada trabalhador por si e o governo contra todos.

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