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Como explicar tamanha violência no Brasil em tempos de paz?

31/10/2017 9:21 AM / Editorial / Atualizado em 31/10/2017 9:21 am

Dentre os muitos Brasis que existem, há um que consensualmente mete medo em sua população. É aquele que mostra seu lado mais violento, para o qual as políticas públicas têm falhado no combate. Pelo menos é o que mostra cada pesquisa que se debruça sobre o assunto. Neste universo triste e medonho, os números nunca parecem favoráveis, mas surreais para um país que não vive em guerra declarada, contra um agente externo ou interno. E é isso que revela mais uma vez os dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que é a principal ferramenta de transparência da criminalidade no País, divulgado ontem,

Como explicar que em 2016 o Brasil registrou o maior número de assassinatos de sua história? Foram nada menos que 61.619 mortes violentas, número, simplesmente, semelhante ao estrago causado pela bomba atômica que devastou a cidade japonesa de Nagasaki. A diferença é que lá no Japão os danos foram ocasionados em um só dia de sua história, enquanto aqui vêm diluídos a cada dia, durante todos os dias de nossa recente história. Assim, de 169 em 169 (número de assassinatos por dia) chega-se a essa cifra de fazer inveja a qualquer país em estado de beligerância.

Infelizmente, para milhões de brasileiros do bem, trabalhadores, pais de família e amantes da paz, este é o Brasil real, de dias e noites hostis. Por aqui, a cada 24 horas são produzidos sete latrocínios (roubos seguido de morte), 136 estupros, 196 desaparecimentos de pessoas e 2.922 roubos de carro. E, como se não bastassem aqueles que roubam nos estratos de baixo, o cidadão tem ainda de conviver com aqueles que dilapidam o País na parte de cima da pirâmide social, desviando o dinheiro que deveria ir para o combate à criminalidade e o conduzindo em segurança para verdadeiros esconderijos além-mar, como Suíça, Hong Kong e Ilhas Cayman. Lá, eles encontram seus portos-seguros, enquanto aqui a violência se espalha para todos os Estados e cidades, tirando o sossego de quem precisa trabalhar honestamente para seguir em frente.

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