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Conferência do Clima faz um chamado à razão e à ação

08/11/2017 9:06 AM / Editorial / Atualizado em 08/11/2017 9:06 am

Em 1992, diversas nações membros da ONU firmaram um acordo e passaram a fazer parte de uma convenção internacional, cujo objetivo é impedir o avanço das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre. De lá para cá, essa reunião, que ficou conhecida como COP (Conferência das Partes, da sigla em inglês), vem acontecendo regularmente e dela saiu o Protocolo de Quioto, em 1997, e seu sucessor, o Acordo de Paris, em 2015, que prevê um teto para o aquecimento global de 2o C até 2100, ou 1,5o C como medida ideal. Mais uma vez este grupo voltou a se reunir, naquela que é a 23ª edição da COP, que acontece desde segunda-feira, 6, e segue até o dia 17. E, de novo, esperam-se avanços nas questões ambientais.

Em Paris, por exemplo, além do estabelecimento das metas gerais, cada membro ficou também responsável por implementar objetivos individuais. Donald Trump, como era de se esperar, tem sido o grande antagonista da conferência, se colocando do lado oposto do bom senso. O presidente norte-americano é um crítico do acordo e, depois de afirmar se tratar de um mau negócio para os interesses do seu país, anunciou, em junho deste ano, a saída do acordo de Paris. Agora, o grande desafio da COP-23 é provar que o mundo pode avançar, ainda que com mais dificuldade, com ou sem a colaboração norte-americana, ou conseguir um novo acordo que assegure os múltiplos interesses em jogo, inclusive os dos EUA.

Mas, além do Tio Sam, têm ainda aqueles que não criticam o acordo, mas que não têm se esforçado para dar a sua colaboração. Este é o caso do Brasil, que, depois de ser usado como referência em edições anteriores, agora está mais próximo da categoria dos vilões. Após conseguir fazer, na última década, com que o desmatamento da Amazônia ocorresse em um ritmo menor, o quadro se inverteu a partir de 2015, o que resultou no aumento de 23% das emissões de gases de efeito estufa, segundo especialistas. Mas o Brasil ainda pode virar este jogo. Daí vir em boa hora a Conferência do Clima da ONU, quando ainda se pode corrigir rotas, pensar em políticas locais e globais e fazer um sonoro chamado à razão e à ação.

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