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Desabafo de Tiririca traz reflexão sobre podridão da política

07/12/2017 8:37 AM / Editorial / Atualizado em 07/12/2017 8:37 am

“Pior do que tá (sic) não fica.” Com essa frase, um bom tempo de televisão e o jeito engraçado, o deputado federal Tiririca (PR) foi eleito como o mais votado do Brasil em 2010, ficando em segundo lugar em 2014. Após sete anos, contudo, ele afirmou, ontem, em seu primeiro discurso na tribuna da Câmara Federal, que vai abandonar a política.

O PR apostou em Tiririca como um puxador de votos, já que o palhaço, popular, poderia atrair um grande número de votos de protesto e, como consequência, ajudaria a eleger outros parlamentares da sigla. O plano deu certo. Sem escolaridade, Tiririca teve de provar que sabe ler e escrever ao Tribunal Superior Eleitoral, antes de assumir o mandato.

Longe da tribuna e sem sucesso na aprovação de projetos, Tiririca ficou conhecido por ser assíduo na Câmara, afinal, nunca faltou a uma sessão. O discurso de ontem, emocionado, foi surpreendente, mas expôs o sentimento de muitos brasileiros diante de tantos escândalos de corrupção na política nacional. “Ando nos aeroportos de cabeça erguida, mas eu acho que muitos dos senhores [deputados] não têm essa coragem de dizer que são parlamentares, porque é uma vergonha, é vergonhoso”, disse.

“Eu jamais vou falar mal de vocês em qualquer canto que eu chegar e não vou falar tudo o que eu vi, tudo o que eu vivi aqui. Mas eu seria hipócrita se saísse daqui e não falasse realmente que estou decepcionado com a política brasileira, decepcionado com muitos de vocês”, afirmou, em meio às negociações para a votação da reforma da Previdência, que deve colocar uma idade mínima para as aposentadorias, além de enrijecer as regras para receber o teto do INSS. “Nem todos trabalham”, reconheceu o palhaço. A saída de Tiririca não altera a vida no Congresso. Apenas se os corruptos saírem, aí sim, poderia haver esperança em Brasília.

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