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Entrevista com Nasser El Fakih

17/04/2017 9:23 AM / Eurico Cruz / Atualizado em 17/04/2017 9:23 am

Nasser El Fakih é um empresário do ramo da construção civil que, em parceria com o jornalista Maurício Siqueira, decidiu investir na TV Destaque, que traz notícias de Guarulhos no canal 15 da Net. Segundo o empresário, a ideia é ter uma programação diferenciada e independente, que não fique presa aos interesses da classe política.

Amigo pessoal do ex-prefeito Sebastião Almeida (PT) e de outros políticos, Nasser considera ser uma ação de “má-fé” a referência que algumas pessoas fazem ao patrimônio dele por conta desta amizade. “Foi só o Almeida assumir como prefeito que as pessoas deixaram de ver o Nasser como empresário de sucesso para tachá-lo como “amigo do Almeida”. Tudo que eu tenho conquistei muito antes e está declarado no meu imposto de renda”, enfatiza o empresário.

Nasser tem 55 anos, é nascido e criado em Guarulhos, no Paraventi. Ele conta que o seu primeiro emprego foi de engraxate, em um prédio de esquina na Avenida Tiradentes, o mesmo que ele comprou algum tempo depois, demoliu e construiu um prédio moderno. Entrou no ramo da construção a convite do amigo José Luis Ferreira, já falecido. “Se ele estivesse vivo, com certeza nós estaríamos construindo mais”, disse.

 

Folha Metropolitana – Por que decidiu investir em um canal de comunicação?

Nasser El Fakih – Veja bem, eu não tinha ideia nenhuma de entrar neste projeto. O Maurício que me convenceu a entrar. Então, ele me fez algumas propostas, eu achei que eram boas para a cidade e concordei. Vamos fazer esta parceria, desde que seja séria, sem segundas intenções, para levar realmente ao povo de Guarulhos, para trabalhar para o povo e não para a classe política, mas sim para cidade. Ele me disse que sim, que esse era o propósito dele. E eu concordei, entrei e abracei a ideia dele.

Foto: Lucas Dantas

Você acha que os meios de comunicação são “vendidos”?

Eu não acho, mas acho que a gente não pode, a imprensa não pode estar na mão da classe política, ela tem de ser livre e falar o que acontece na cidade, não ocultar as coisas. O projeto não é político, mas sim para a cidade.

 

Como você avalia hoje a situação de Guarulhos?

Olha, a situação não é de Guarulhos. Como a gente mora aqui questiona apenas Guarulhos, mas o problema é nacional, para não falar mundial, porque seria um exagero, mas a maioria dos países europeus, como a Espanha, está igual ou pior que o Brasil. A Saúde está falida no nosso País, a Educação, a Segurança nós não temos. Eu, quando novo, não tinha convênio, mas tinha atendimento médico. Eu nunca paguei segurança, eu nunca paguei escola, estudei em escolas públicas. Hoje se você quer ter uma escola melhor para os seus filhos você tem que pagar. Hoje o nosso País realmente está falido.

 

E quando você acha que a situação melhora?

Eu acho que vai demorar, claro que eu não torço para isso, porque eu sou muito prejudicado, mas eu não acho que é a curto prazo que nós vamos conseguir sair dessa crise. Eu acho que se demora alguns anos. Eu não me iludo achando que o ano que vem vai estar melhor. Todo mundo falou que 2017 ia ser melhor, porque o Temer entrou e você vê que ele caiu uma média de 30% nas pesquisas de satisfação porque milagre ninguém vai fazer.

 

Você é a favor das reformas propostas pelo presidente Temer?

Eu não acho que são boas, eu acho que são necessárias. Eu não sou a favor do Temer, mas se não fizer alguma coisa, com certeza a Previdência vai quebrar. Claro que tem uma série de outros privilégios de diversas categorias que tem que entrar nesta reforma, doa a quem doer.

 

Pela sua proximidade com o ex-prefeito Almeida chegaram a dizer que você era petista. Você tem alguma filiação partidária?

Não tenho. Isso ocorreu por conta de uma amizade, mas tenho diversos outros amigos do meio político de diversos partidos. O próprio Guti (PSB), o deputado Gileno (PSL), o vereador João Dárcio (PTN). Não tenho sigla, eu voto na pessoa, no caráter. Nas eleições eu não falei mal de ninguém porque tinha três pessoas que eu conhecia, diferente do caso do Almeida, que era meu amigo particular e eu não tinha amizade com o Carlos Roberto, mas quando todos são seus amigos você fica numa situação difícil. É como ter três irmãos e perguntar ao pai de qual ele gosta mais.

 

Você já consegue avaliar a gestão Guti?

Eu acho muito cedo para avaliar. Eu acho que algumas decisões, como o corte de gastos, estão no caminho certo. Pode não ser popular, mas se o município está nessa situação, a primeira coisa que se tem que fazer é cortar gastos. A população, os funcionários, não vão ficar satisfeitos, mas é uma necessidade, então eu concordo plenamente, mas quanto ao resto, é muito cedo para avaliar o governo dele. Não deu tempo nem para ele respirar. Ele está pegando um governo novo. Ele mudou 100% a linha do governo.

 

Qual você acha que foi o maior erro da gestão do ex-prefeito Almeida?

Secretariado. Eu acho que ele foi muito infeliz na escolha dos secretários. Ele é uma pessoa boa, uma pessoa simples, humilde, eu gosto muito dele, mas esse erro eu aponto, acho que ele não foi feliz na escolha dos secretários. Eu não vou apontar um porque foram vários. Se eu fosse secretário de Governo, e tivesse autonomia, uma meia dúzia dos secretários do Almeida, no mínimo, não trabalharia comigo.

 

Quantos prédios alugados pela Prefeitura são seus?

É bom deixar isso claro. São apenas dois. Um recebe a Secretaria de Assuntos Jurídicos e o outro a delegacia dos Pimentas. O prédio de Finanças não é meu.

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