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Entrevista com Reinaldo Domingos

23/01/2017 8:34 AM / Eurico Cruz / Atualizado em 23/01/2017 8:34 am

Reinaldo Domingos é o desenvolvedor do método Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar (Dsop), que trabalha o comportamento e os hábitos das pessoas para que elas consigam alcançar seus objetivos a curto, médio e longo prazo.

Não se trata apenas de um metódo matemático com  planilhas a serem debatidas, mas, segundo o  educador e terapeuta financeiro, que é presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), e é incisivo no assunto. “Não adianta apenas guardar o dinheiro. É preciso saber seu objetivo. Não se pode ter uma ausência de um projeto de vida”, disse. O método de Domingos também é aplicado em mais de 2 mil escolas e  pode ensinar adultos, jovens e crianças.

Voltado para orientar as pessoas de forma prática e moderna, Domingos criou um canal no Youtube, o “dinheiro à vista”, no qual dá dicas sobre diversos temas relacionados à economia, dinheiro, investimento e planejamento. Os vídeos são publicados duas vezes por semana: segunda-feira e quinta-feira.

O terapeuta disse que só descobriu seu método depois que escreveu o livro “Terapia Financeira: Realize seus sonhos com educação financeira”.

 

Folha Metropolitana – A educação financeira é voltada para o controle dos gastos?

Reinando Domingos – Trata-se de uma nova disciplina, um novo conceito, porque todos viam as finanças pessoais com o pensamento de cálculos, planilhas e matemática. Quando a gente olha para a educação financeira é algo que trabalha com comportamento, com hábitos. A área de exatas serve exatamente para você fazer cálculos, mas o que rege, o que leva à frente são as atitudes, as escolhas,  a forma de comprar. Trabalha-se a parte humana, por isso que a educação financeira vem ganhando um espaço significativo na vida das pessoas.

 

E como isso se aplica no cotidiano do cidadão?

Afeta no jeito que ela vai fazer, os hábitos, o quanto ela ganha e o quanto ela gasta. Para isso é preciso ter método, disciplina. Eu sou mentor da metodologia DSOP, diagnosticar, sonhar, orçar e poupar. São quatro passos que podem levar qualquer pessoa ou família, jovem, adulto ou aposentado a plena consciência financeira do que ganha e do que gasta.

 

Então você ensina as pessoas a mudarem os hábitos?

Eu ensino as pessoas a sonhar. O grande antídoto para um consumo não consciente são os sonhos. Quando eu falo na metodologia, a grande ausência da sociedade, no mundo, muitas vezes é a falta de um projeto de vida. O que acontece é que nós temos uma população ávida para consumir, mas as pessoas tem uma ausência de sonhos e de projetos de vida. O grande problema é que se você perguntar para as pessoas quais são seus sonhos a curto, médio e longo prazo. A resposta é quase nula: não sei, nunca parei de pensar.

 

O brasileiro gasta muito mais do que pode?

De acordo com uma pesquisa da Abefin, a família brasileira tem, em média, um excesso de 30% nas despesas, seja em contas de água, telefone, energia e compras. No curso a gente entra com um apontamento de despesa e eles são obrigados a fazer, por 30 dias, uma anotação de tudo que eles gastam. A gente apurou que todos eles tiveram a ousadia de buscar uma redução. Algumas são eliminadas, são despesas supérfluas. Tem outra pesquisa da Visa que aponta que a família brasileira gasta em média  26,5% a mais do que precisa no orçamento.

 

Então são necessários vários sacrifícios para reduzir estes gastos das famílias brasileiras?

Escolhas. As pessoas precisam ter escolhas. Elas precisam dizer: eu quero isso aqui, repito, o grande antídoto para um consumo não consciente são os sonhos. Você pode não ter dinheiro, mas deve ter sonho. Se você tiver sonho você tem foco. O brasileiro é muito desperdiçador.

 

Mas o modelo de consumo do Brasil não é extremamente capitalista?

É um País capitalista, um País que tem uma inflação bastante acentuada, que depois do Plano Real houve uma ampliação forte no mundo do consumo, ou seja, a facilidade de compra se tornou algo interessante. Temos um País consumista que copia muito a linha dos Estados Unidos, mas não é o capitalismo que temos de combater.

 

Então existe algum planejamento correto?

O que a gente propõe é que as pessoas retirem primeiro o que deve ser destinado aos seus sonhos. Eu tiro primeiro para os meus projetos de vida, tiro minhas prestações e depois eu tenho um saldo para minha adequação de vida. Efetivamente eu já separei dinheiro para aquilo que eu quero viver de melhor na vida. O pensamento do brasileiro é o ganha, gasta e, se sobrar, guarda um pouco.

 

Como funciona o método de ensino para crianças de um assunto tão complexo?

Nosso programa começa fazendo que a gente capacite primeiro o professor, que é o primeiro a ser educado financeiramente para que  possa ter domínio da educação financeira. O processo com os menores começa desde os dois anos de idade, desde o maternal, infantil, fundamental. Com isso você pega todo o ensino básico e junto com esse programa o professor tem seu livro e plano de aula. O aluno tem seu caderno e seus livros, games, atividades interativas, fazendo com que esse programa seja bem estruturado. Tem acompanhamentpo pedagógico.

 

Mas tanto para os adultos quanto para as crianças deve ser difícil aceitar que gastam demais ou mesmo que precisam poupar para os seus sonhos?

Pelo contrário. Existe uma pré-disposição das pessoas. As crianças aprendem isso de maneira mais rápida e as pessoas têm de ter um propósito. Você vai viver a vida toda, independente de sua profissão, para o pagamento de contas?

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