notíciasCidade

Guarulhense sonha em disputar Surdolimpíada

18/04/2017 7:46 AM / Raphael Pozzi / Atualizado em 19/04/2017 10:08 am

A deficiência auditiva que acompanha o guarulhense Vitor Figueiroa desde seu nascimento, em 1994, lhe impôs alguns desafios, mas não o impediu de lutar pelo sonho de se tornar um jogador de futebol. Ele conheceu atletas da Seleção Brasileira de Surdos em Londrina, no Paraná, disputando algumas partidas por lá.

Lateral direito, Vitor foi convocado para defender o Brasil nos jogos Pan-Americanos de Futebol de Surdos, realizados em 2016, em Brasília. Com as boas atuações, ele garantiu vaga também na equipe que vai representar o País na Surdolímpiada 2017, em julho, na Turquia.

A falta de investimento público e privado na Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), no entanto, faz com que os próprios jogadores tenham que custear as passagens aéreas e hospedagem, orçadas em aproximadamente R$ 10 mil (per capita).

Com pai caminhoneiro e mãe dona de casa, além do desemprego, a situação fica ainda mais complicada. Este é o mais novo desafio: conseguir apoio financeiro para poder representar o Brasil e, também, Guarulhos no futebol de campo.

Para arrecadar o valor, a amiga de infância de Vitor e também intérprete voluntária do atleta, Laís Rocha, 21 (junto a outros amigos), está organizando uma campanha para garantir a presença do jogador na Turquia. “Se caso alguém quiser ajudar, pode me ligar”, afirmou Laís. O contato dela é 94691-9614.

A reportagem conversou com a secretária-geral da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos, Esmeralda Castro Oliveira, que confirmou a dificuldade em conseguir apoio do governo. “Até agora tivemos várias reuniões no Ministério do Esporte, mas falaram para aguardarmos edital”, contou. O receio é de que o documento seja publicado apenas quando faltarem poucos dias para a viagem.

“A gente sabe de muitas famílias que, como a do Vitor, estão fazendo campanhas. Tem gente fazendo rifa, almoço beneficente, pedindo ajuda. Mas está muito difícil”, explicou.

O projeto da CBDS solicita o repasse de R$ 2,9 milhões. São 15 modalidades e o total de 176 atletas. “Sem apoio não temos condições de levá-los para o evento”. A FM tentou contato com o Ministério do Esporte, mas não houve resposta.

Campeões – Brasil conseguiu vaga na Surdolimpíada pelo Pan (Foto: Divulgação)

Campeões – Brasil conseguiu vaga na Surdolimpíada pelo Pan (Foto: Divulgação)

Esquadrão ameaçado – Dentro de campo, equipe é eficiente; dificuldade agora é ter verba para disputar torneio (Foto: Divulgação)

Orgulho – Vitor (à esq.) mostra sua alegria em defender o Brasil (Foto: Divulgação)

Atleta de vôlei também enfrenta problemas

A jogadora de vôlei Hellen Nazaret Sousa, outra guarulhense que foi convocada para a Surdolimpíada, iniciou com suas colegas uma campanha na plataforma Kickante. O link para doação é https://goo.gl/aDVlGx.

As meninas têm o título de vice-campeãs no Sul-Americano de 2014 e no Pan-Americano do ano passado. “Essas conquistas não foram suficientes para arranjo de patrocinadores e verbas governamentais”, escreveu Hellen no Facebook. “Queremos mostrar ao mundo que, mesmo diante de tantas dificuldades, não há nada que possa nos impedir de viver um sonho olímpico”, explicou.

Os atletas surdos criaram a Surdolimpíada porque, para o Comitê Paralímpico Internacional, eles não se encaixam na categoria paralímpica, pois são capazes de participar de competições convencionais. Além disso, o Comitê Internacional de Desportos de Surdos (ICSD) não é filiado ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

Desde 1924 a competição existe e é realizada de quatro em quatro anos. A única exigência para participar da Surdolimpíada é que o atleta tenha perda auditiva de, pelo menos, 55 decibéis no melhor ouvido.

A primeira participação brasileira nos Jogos para Surdos foi em 1993, na Bulgária. A primeira medalha veio em 2009, em Taiwan, quando Alexandre Soares Fernandes conquistou um histórico bronze no Judô, na categoria até 81kg.

O Brasil terminou a última edição das Surdolimpíadas –também disputadas na Bulgária– em 36º lugar, com quatro medalhas: uma prata e dois bronzes, conquistados por Guilherme Maia na natação, e um bronze de Heron Rodrigues no caratê.

SiteLock