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Líderes do Peru têm mais motivos para temer Justiça que os nossos

17/07/2017 9:40 AM / Editorial / Atualizado em 17/07/2017 9:40 am

A Lava Jato é, hoje, uma das marcas brasileiras mais conhecidas no exterior. É notícia aqui e lá fora, causa estrago aqui e muito além de nossas fronteiras. Afinal de contas, os tentáculos das grandes empresas que são os fios condutores da operação, como Odebrecht, Camargo Corrêa, JBS, Petrobras, entre outras, alcançam longe, do Uruguai ao Canadá, da América à Europa. Na última quinta-feira, 13, o Peru foi palco de um dos desdobramentos das investigações relacionadas à Lava Jato. O resultado foi a prisão do ex-presidente do país andino, Ollanta Humalla (que governou entre 2011 e 2016), e sua mulher, Nadine Heredia.

Aparentemente, os dois se beneficiaram de uma receita bem conhecida no Brasil: recebimento e lavagem de dinheiro pago pela Odebrecht via caixa 2. Antes deles, foi decretada a prisão de outro ex-presidente, Alejandro Toledo (2001-2006), mas este se encontra foragido. O atual presidente do país, Pedro Pablo Kuczynsky, era o então ministro da Economia de Toledo, e também teme que, em algum momento, seu nome entre na ciranda. Tem ainda Allan Garcia (2006-2011), que antecedeu Humalla. Ele também precisa dar explicações, embora ainda não tenha sido convocado pela Justiça peruana. Este último é citado por pelo menos três réus da operação Lava Jato, por ter ajudado na obtenção de contratos no Peru. Uma das irregularidades está associada à concessão de uma linha do metrô de Lima à Odebrecht, cujo dono admitiu ter pagado propina para executar a obra.

A realidade peruana é bem parecida com a brasileira. Lá como cá, toda uma geração de líderes parece ter se corrompido diante de um dinheiro fácil. Venderam suas convicções e abriram mão das promessas de práticas éticas e transparentes por um monte de dólares, que custaram o atraso da nação. Mas, o Peru, onde as investigações começaram bem depois do Brasil, dá um exemplo para o nosso País. Lá já se mandou prender um presidente e se afugentou outro, enquanto outras investigações seguem. Enquanto isso, a lentidão e os contorcionismos da Justiça brasileira deixam em dúvida se algo do tipo um dia vai de fato acontecer por aqui.

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