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Luciano Huck sai de cena e a corrida presidencial fica com os profissionais

28/11/2017 8:44 AM / Editorial / Atualizado em 28/11/2017 8:44 am

Não se sabe exatamente quando foi ventilado o nome do paulistano Luciano Huck como candidato a presidente. Nem ele mesmo sabe, como bem destacou na sua belíssima e bem escrita carta publicada ontem na seção Tendência/Debates da Folha de S.Paulo. No entanto, um burburinho começou a surgir em torno do nome do apresentador, partidos buscaram cooptá-lo diante de sua inquestionável popularidade até que ele, finalmente, decidiu se posicionar e recusar proposta tão tentadora e ao mesmo tempo perigosa.

É até certo ponto uma pena, pois o País perdeu a chance de ver um nome “novo” disputar a cadeira presidencial. E, diante da história recente da política brasileira, tais candidatos “não políticos” têm o seu apelo.  Aparentemente, a população já até decorou algumas marcas que a cada quatro anos dão às caras nos programas eleitorais. Mas, geralmente, concorrem apenas como coadjuvantes, ou não seriam esses os casos de José Maria de Almeida (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO), que disputam desde 2002; de José Maria Eymael (desde 2006); e de Levy Fidelix (desde 2010)? O eleitor busca, na verdade, um indivíduo que não esteja vinculado a um grupo ou partido determinado, mas que, ao mesmo tempo, tenha chances de se impor diante dos adversários mais tradicionais.

Huck preferiu a estabilidade a se enchafurdar em um terreno onde se sabe é preciso ter estômago, e que não é para principiantes. Se, como bem escreveu, tem andado pelo Brasil e pelo mundo atrás de “gente boa”, encontraria poucos exemplares no poder de Brasília ou mesmo dentro dos próprios DEM e PPS, partidos que buscavam convencê-lo tirar sua vida do rumo em nome de uma aventura hostil, cujas agressões começaram antes mesmo de ele dizer sim. Para os seguidores de Jair Bolsonaro, por exemplo, é um “comunista traidor da pátria nacional”, enquanto para Dilma Rousseff, é um fomentador da “política social de auditório”. Era só o começo. Com a saída de cena de Huck, que o jogo fique então com os profissionais. Aqueles de sempre, cujos nomes não é segredo para ninguém.

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