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Lula encara Moro pela segunda vez, bem menor do que em maio

13/09/2017 9:43 AM / Editorial / Atualizado em 13/09/2017 9:43 am

Passados exatos 126 dias desde o último 10 de maio, quando Luiz Inácio Lula da Silva esteve cara a cara com o juiz Sergio Moro, no seu primeiro depoimento presencial, o ex-presidente volta a Curitiba para ser novamente ouvido pelo magistrado, que é responsável pela operação Lava Jato na primeira instância. Mas, de lá para cá, muita coisa mudou. E tudo contra o petista, que chega à capital paranaense com uma estatura política bem menor do que cinco meses atrás.

Em maio, Lula foi a Curitiba por conta da ação penal que trata do recebimento de vantagens indevidas da empreiteira OAS e da propriedade do triplex no Guarujá. A sentença saiu em julho, quando foi condenado a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Agora, responderá à acusação do Ministério Público Federal de novamente receber benefícios escusos do Grupo Odebrecht, decorrentes de contratos da empreiteira com a Petrobras.

O tempo passou, e não fez bem para o petista. Sua estrela, que já foi uma das mais reluzentes do universo político nacional, agora parece se apagar diante de tantas complicações e situações que exigem ser devidamente explicadas. Hoje, quando de novo encarará a face nada amistosa do juiz Moro, terá mais uma oportunidade de fazer isso. Poderá, por exemplo, convencer sua audiência de que a Odebrecht não comprou o terreno para a construção do Instituto Lula, além de uma cobertura em São Bernardo do Campo, vizinha ao apartamento onde o ex-presidente mora atualmente. Como se já não fosse complicado explicar, Lula terá de fazê-lo menos de uma semana depois que seu amigo e companheiro de jornada, Antônio Palocci, realizou uma série de confissões, mesmo sem ainda ter fechado acordo de delação premiada. O ex-ministro detalha inclusive um “pacto de sangue” entre o ex-presidente e o empresário Emilio Odebrecht. A missão é das mais difíceis. Mas nada como o tempo para acabar com todas as dúvidas. Se é que ainda existem.

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