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Na era das fake news sobra notícia sensacionalista e falta bom senso

11/10/2017 9:42 AM / Editorial / Atualizado em 11/10/2017 10:14 am

O termo “fake news”, como bem lembrou o tradicional dicionário Merriam-Webster a Donald Trump, que evocou para si a paternidade do conceito, existe desde 1890. Desde lá, estava associada a informação falsa e tendenciosa voltada a distorcer a realidade. Mais de um século depois, enfim entramos com tudo na Era das Fake News, notícias que, embora inverídicas, são poderosas forças capazes de fomentar o ódio e causar a discórdia e a separação. Assim, a partir delas, pessoas são achincalhadas publicamente, grupos são perseguidos e até presidentes são eleitos, como quer demonstrar uma sindicância aberta pelo Google, depois de pressão do Congresso dos Estados Unidos, que investiga a ascensão de Trump à Casa Branca com a suposta ajuda do governo russo.

O fato é que até agora se constatou que agentes a serviço do Kremlin gastaram muito dinheiro em anúncios – por meio do YouTube, Gmail e da rede de publicidade DoubleClick – voltados a espalhar notícias falsas e polarizar a sociedade norte-americana. Só no Facebook foram investidos US$ 100 mil decorrentes de 3 mil anúncios, alguns promovendo Trump e outros fomentando a hostilidade a imigrantes e ódio racial. Como se sabe, notícias falsas são plantadas intencionalmente para atingir adversários, principalmente em ano eleitoral. Isso não é novidade. O novo nesta receita são a internet, as redes sociais e o WhatsApp, que elevaram esta prática a uma proporção caótica.

O Brasil viveu mais intensamente tudo isso por ocasião do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em que ambos os lados do debate criaram uma verdadeira indústria de fake news, que se espalhava facilmente no ambiente digital, potencializando as divergências entre os grupos, acirrando os ânimos e ceifando a razão. Essa indústria não foi desmobilizada e segue trabalhando, embora em ritmo de entressafra, aguardando a virada de ano e a proximidade das Eleições 2018. O antídoto a ela são o bom senso e a ciência de que nem tudo que cai na rede é verdadeiro. Mas, para muitos, pouco importa, desde que o que se tem a mão sirva para atingir o adversário.

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