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Na escala de propinas, R$ 6 milhões até parece apenas uma mixaria

10/10/2017 10:08 AM / Editorial / Atualizado em 10/10/2017 10:12 am

Em um país como o Brasil, propina pouca é bobagem. Afinal, nestes últimos tempos, o brasileiro mais atento tomou conhecimento de montantes vultuosos destinados a esta prática, como o icônico apartamento de Geddel Vieira Lima, que guardava em caixas e malas mais de R$ 51 milhões. Este foi um pecado visível, mas outros nem tanto, o que não significa que não tenham de fato ocorrido.

Segundo a Procuradoria da República, por exemplo, as propinas pagas ao PP e seus integrantes, entre 2004 e 2014, superaram a marca de R$ 296 milhões. Já o Ministério Público Federal denunciou o ex-governador do Rio de Janeiro por centenas de crimes, sendo que apenas da caixinha da Fetranspor saiu diretamente para Sérgio Cabral R$ 144,7 milhões entre julho de 2010 e outubro de 2016. E, por fim, o empresário Joesley Batista contou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que contas abertas na Suíça – para movimentar recursos ilícitos reservados às campanhas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff – chegaram a atingir um saldo de US$ 150 milhões.

Diante destes valores absurdos, os R$ 6 milhões que o ex-presidente da JBS disse ter pagado ao bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, parece até apenas um pecadinho. Mas um pecadinho que ele se nega a confessar. Daí não ter perdão! Filiado ao PRB, o pastor-político preferiu inicialmente soltar uma nota em que diz que não comentará “pretensas gravações ilícitas”. Se a gravação é ilícita, caberá ao STF se pronunciar. Mas, independentemente disso, a conversa gravada entre ele e Joesley, permeada de matemática e números, parece também dar conta de se tratar de uma operação ilícita. Pereira preferiu tirar férias a se explicar. Talvez durante este tempo consiga bons argumentos para demonstrar sua inocência. Na falta de qualquer outro bom elemento, este ministro de Deus e de Temer (uma demonstração de que é possível servir a dois senhores) poderá por fim dizer simplesmente que aquela mixaria não era propina, mas esmola. Haverá sempre um bom juiz para acreditar.

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