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Ponto de Vista – 50 anos da reflexão do papa Paulo VI

18/05/2017 10:02 AM / Antônio C. Frizzo / Atualizado em 18/05/2017 10:02 am

Repaginar o passado deve ser um ato de inspiração para o presente. Se não for assim é puro saudosismo. Comportamento que pode nos levar ao desespero.  O Concílio Vaticano II (1962-1965) havia encantado, não somente setores do catolicismo, mas toda a sociedade moderna da época. As “alegrias e tristezas” do mundo, no dizer de seu idealizador, papa João XXIII, fornecem e dinamizam o anúncio da mensagem do evangelho de Cristo.

Os anos reunidos na realização do concílio e as trocas intermináveis de experiências entre os bispos conciliares facilitaram a compreensão dos dramas vividos pela humanidade: a tragédia da fome, as ameaças de guerra entre grandes potencias bélicas, o alastramento das doenças endêmicas, a falta de solidariedade entre países ricos e pobres, o fortalecimento do sistema capitalista liberal, os sofrimentos injustos e lutas fratricidas, a existência do analfabetismo exigem uma tomada de consciência e comprometimento. “A solidariedade universal é para nós não só um fato e um benefício, mas também um dever”, declarou o autor do documento, papa Paulo VI, em março de 1967.

Pensar o “desenvolvimento dos povos” do latim “populorum progressio” foi a legítima e urgente intuição de Paulo VI. As declarações da encíclica impuseram um rompimento radical com resquícios da cristandade defendida por setores mais conservadores do catolicismo da época. Era preciso fazer-se povo. Entender os dramas dos povos. Justiça e paz ecoaram mundo afora como sinônimos da mensagem testemunhada por um simples Jesus de Nazaré.

Assessorado pelo padre francês Louis-Joseph Lebret, teólogo e cientista, Paulo VI direciona a ação ao da Igreja rumo ao mundo e seus dilemas. Repaginá-la, 50 anos depois, é voltar a uma fonte inspiradora útil para corrigir as atuais propostas políticas e econômicas retrógradas, exclusivas que nos levarão à barbárie.

Antônio C. Frizzo é padre e assessor das Pastorais Sociais, acfrizzo@uol.com.br

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