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Ponto de Vista – A Colômbia deixou para trás o dilúvio

13/09/2017 9:45 AM / Antonio C. Frizzo / Atualizado em 13/09/2017 9:45 am

A eleição de 1950 estava próxima. Jorge Eliecer Gaitán, líder mais à esquerda do Partido Liberal, dava amplos sinais de sair vitorioso no pleito presidencial. Na agenda do dia 8 de abril de 1948, constava um encontro, pela tarde, com um jovem líder revolucionário de nome Fidel Castro. O encontro e sua posse presidencial, jamais aconteceram. Ao sair de seu escritório para almoçar, em companhia de alguns amigos, Gaitán foi covardemente assassinado.

Momentos após ao disparo fatal, o executor Juan Roa Sierra foi brutalmente assassinado pela multidão em fúria. Seu corpo foi esquartejado e espalhado pelas ruas de Bogotá. Declarada sua morte, no dia 9 de abril, uma onda de manifestações populares se espalhou por toda a Colômbia. A chamada onda La Violencia (a violência) duraria por décadas, quando diversas correntes militares recorreram às armas para fazer valer seus direitos contra uma oligarquia corrupta e obstinada em permanecer no poder.

Em 1964, com a união de várias correntes revolucionárias, foram criadas as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Com proposta de uma ampla reforma agrária, combate à corrupção, educação e saúde, as Farc não encontraram obstáculos para ter o apoio das camadas mais pobres da população. Estima-se que entre 15% a 20% do território colombiano estiveram sob o comando desse grupo paramilitar. Ao todo foram 52 anos de uma guerra civil que matou mais de 200 mil pessoas, sendo que 80 mil estão desaparecidos e 6,6 milhões de pessoas se encontram refugiadas dentro da própria Colômbia.

A visita do papa Francisco sela quatro anos de negociações pela paz, mediadas por Cuba e Noruega.  Governo e as Farc optaram  pela paz. É hora de olhar os novos horizontes. “Chega de alimentar a violência”, disse o papa. Francisco, mais uma vez, demonstra que a religião e a mensagem evangélica tocam o universo da política. Se não for assim, ambas tendem a perder seus valores na sociedade contemporânea.

Antonio C. Frizzo é padre e assessor das pastorais sociais, acfrizzo@uol.com.br

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