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Ponto de Vista – A violência humana em nome de Deus

06/10/2017 9:34 AM / Alfredo Henrique / Atualizado em 06/10/2017 9:34 am

Intolerância é um sentimento extremamente emburrecedor e limitante aos que dela se valem para embasar pensamentos e, pior, para realizar ações injustificáveis contra pessoas, instituições ou tradições que – ainda bem – contribuem para a riqueza de diferenças que constituem o mundão onde estamos.

As religiões, em sua grande maioria, pregam (em tese) o amor, o respeito e a tolerância ao próximo. Porém, há situações em que algumas “regras” são interpretadas, para não dizer deturpadas, com o intuito de justificar preconceitos insuflados pela “identificação” entre intolerâncias. É um “sair do armário” com relação às maldades que nos habitam e que podem ser nutridas – como infelizmente ocorre em alguns casos – ou desconstruídas e mantidas em uma necessária e inteligente inatividade.

Segundo um texto que li no site da revista Carta Capital, no Estado de São Paulo, somente neste ano, foram registrados 27 atos de intolerância religiosa.

O caso mais recente ocorreu semana passada, quando uma casa de Candomblé de Jundiaí (interior de São Paulo) foi consumida por um incêndio. Segundo testemunhas, após o início do fogo, pessoas foram vistas correndo nas proximidades do local – indicando que a origem das chamas teria sido criminosa. A Polícia Civil investiga o caso. No Rio de Janeiro os números também são altos. Foram 79 casos de ataques a templos e também aos seguidores de religiões de matriz africana – leia-se Umbanda e Candomblé.

Fico intrigado ao constatar a energia desperdiçada por algumas pessoas quando atacam o que consideram ser “diferente” delas. Minha indignação aumenta quando a motivação para a violência é religiosa, ou melhor dizendo, dogmática e sem nenhuma espiritualidade de fato envolvida.

O conceito de Deus não é determinante para a manifestação do bem e do mal. Os intolerantes deveriam perceber e usar isso para avaliarem suas ações, realizadas em defesa de uma leitura destruidora do que creem, pois defendem interesses nada divinos.

Alfredo Henrique

Chefe de Reportagem da Folha Metropolitana

alfredohsgomes@gmail.com

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