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Ponto de Vista – Escola sedutora

30/11/2017 8:37 AM / José Renato Nalini / Atualizado em 30/11/2017 8:37 am

Se Juno tem duas faces, a educação tem múltiplas fisionomias. É direito de todos, é dever do Estado, da família e da sociedade. É a mais relevante dentre as políticas públicas a clamar por maior atenção e é o mais desafiador dentre os embates postos à consideração da parcela pensante desta Pátria que urge reinventar. Mas não deixa de ser a cereja rubra e brilhante do apetitoso bolo do mercado. É um nicho promissor, que já rendeu boas colheitas e continuará a produzir excelentes frutos para quem quiser investir com inteligência.

A jornalista Beth Koike mostrou recentemente que “o ensino básico atrai faculdades, fundos e até jogador de futebol”. O setor movimenta R$ 67 bilhões, mais do que a receita do ensino superior, de R$ 55 bilhões.

É o que leva investidores a apostar em escolas de excelência. Elas já existem no Brasil, mas a proposta agora é outra. As crianças estão imersas na era digital, compatível com sua “circuitaria neuronal”.

Daí a promessa de um ensino com vestimenta nova, que foque empreendedorismo, sustentabilidade, fluência digital como pilares de metodologias contemporâneas.  Leva-se em consideração a urgência de aquisição de novas competências e habilidades, levar a sério o arsenal de dons não cognitivos, calcados na porção socioemocional do aluno.

A esperança é a de que os responsáveis por essa escola tão atrativa não se esqueçam das crianças vulneráveis, aquelas que não podem arcar com os custos dessa formação singular e privilegiada e realizem algo para reduzir o fosso entre os que podem e os hipossuficientes. Estes, infelizmente, ainda constituem a maioria nesta Nação tão desigual.

Outra reflexão se impõe e, talvez, seja até mais oportuna. A tendência docente a enfrentar a 4ª Revolução Industrial com ousadia, audácia e criatividade já é detectada na Rede Pública Paulista. Posso testemunhar que o heroísmo do Magistério ousa e investe em fórmulas pioneiras, alcançando êxitos que não seriam imagináveis. Aprendizado eficaz não é privilégio da iniciativa privada. Com os recursos públicos, há maravilhas que justificam a crença de que ensinar é vocação, é missão e é carisma. Sem deixar de ser profissão.

José Renato Nalini

é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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