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Ponto de Vista – III Caminhada pela Paz

06/09/2017 9:31 AM / Antonio C. Frizzo / Atualizado em 06/09/2017 9:31 am

Os dados não procedem de nenhum  órgão de pesquisa ou departamento de homicídios. Dia 21 de Agosto, 21 corpos foram sepultados no Cemitério Vila Rio, o maior da cidade de Guarulhos. Cinco corpos eram de jovens assassinados nas madrugadas de 19 e 20. Tal cifra, obtive numa conversa com o coveiro durante as exéquias celebradas, na tarde de 31 de setembro, quando do sepultamento de Dona Francisca, minha vizinha, que residia na Rua Minas Gerais, Vila Augusta. “Padre, tem dia que a coisa é feia, por aqui”, considera José Neves, nome fictício para um real servidor municipal.  Contra essa onda de extermínio da juventude, aconteceu a III Caminhada da Paz.

Deus não produz doutrinas para si mesmo. As expressões litúrgicas, os conceitos teóricos, as praticidades são conceitos firmados por homens e mulheres necessitados de vivenciar o sagrado. Nesse sentido, oportuno, reproduzir a afirmação de Pai Kleber, representante do Candomblé, na III Caminhada pela Paz, ocorrida no último dia 2 de Setembro, no bairro Maria Dirce, periferia de Guarulhos: “Deus criou as diversas religiões para que todos os povos pudessem invocá-lo em suas respectivas culturas”.

Dom Edmilson, bispo católico, o primeiro a discursar, realçou o aumento da violência e a importância da Caminhada: “Frequentemente ouvimos falar de chacinas envolvendo jovens e, se estamos saindo juntos pelas ruas é sinal de que a situação se agravou”. Para os líderes religiosos, o ato motivou o fortalecimento do diálogo entre as religiões além de ser uma forte demonstração contra a intolerância. As lideranças das religiões de matizes africanas – Candomblé e Umbanda –, juntamente com as oriundas do cristianismo – Católica, Presbiteriana e Kardecismo –, souberam com maestria superar os diferentes campos doutrinais e acenar profeticamente que o desejo do Criador é a juventude viva. Por mais cruel e triste a atual onda de violência, valerá o esforço exigir do governo municipal a implementação de políticas públicas para a juventude.

Antonio C. Frizzo é padre e assessor das pastorais sociais, acfrizzo@uol.com.br

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