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Ponto de Vista – Lutero: 500 anos de reforma

01/11/2017 9:15 AM / Antonio C. Frizzo / Atualizado em 01/11/2017 9:15 am

Na Alemanha, berço de Martinho Lutero, seguem as comemorações e celebrações ecumênicas entre igrejas evangélicas luteranas e católicas, nos 500 anos da Reforma Luterana, no desejo de mostrar ao mundo a força da mensagem do Evangelho em unir pessoas, povos e nações. Aos olhos do Criador, “somos todos irmãos”.

O monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) não criou um movimento chamado Reforma. Seu espírito inquieto foi profundamente marcado pelas modernidades da época. O século XV trouxe inúmeras novidades que marcarão as futuras gerações: a descoberta da América, em 1492, a invenção da imprensa, as ideias filosóficas da Renascença, o desejo de independência dos príncipes da tutela papal e o surgimento de uma economia monetária.

Em 1517, Martinho Lutero, então professor na Universidade de Wittemberg, publicou uma declaração contendo 95 pontos (teses) contra o regime das indulgências mantido pelos papas aficionados em arrecadar fundos para custeio da basílica de São Pedro, em Roma. Não era seu desejo se separar da Sé romana.

As lufadas do Espírito – que sempre sopra onde quer – faz Lutero reacender os ideais do movimento mendicante católico do século XII, propagados pelo fundador da ordem dos Pregadores, Domingo de Gusmão (1170-1221) e São Francisco de Assis (1182-1226). O monge Germânico retoma as ideias dos reformistas John Wycliffe (1328-1384) e John Huss (1369-1415). Ele acredita numa igreja fiel ao evangelho e pobre com os pobres, ao estilo de Jesus. Sua doutrina está sustentada por três grandes princípios: a autoridade da Escritura, a justificação pela fé e o sacerdócio universal dos cristãos.

Foi progressivamente, após a publicação da bula Exsurge Domine, em 15 de junho de 1520, pelo papa Leão X (1475-1521), declarando sua excomunhão, que seus ânimos se acirraram, provocando em toda Europa, a partir dos príncipes alemães, a expansão do pensamento luterano, oferecendo elementos teóricos às futuras reformas.

Antonio C. Frizzo é padre e assessor das pastorais sociais, acfrizzo@uol.com.br

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