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Ponto de Vista – Pracinha de bairro

10/05/2017 9:35 AM / Luna Alkalay / Atualizado em 10/05/2017 9:35 am

No bairro em que eu moro tem uma pracinha. Nem tão grande pra ser um Jardim da Luz ou Parque da Aclimação, mas nem tão pequena para ser apenas um canteiro. Atravesso uma avenida, duas ruas e estou nesse paraíso tranquilo, fresquinho, silencioso. Os frequentadores das pracinhas são muito parecidos com os frequentadores das praias.

Têm os que chegam cedinho com os bebês, os que passam fazendo exercício um pouco mais tarde, os que vão porque não têm mais o que fazer, os que só aparecem nos fins de tarde e aqueles que passam nas tardes já acabadas há muito tempo.

Cada qual com suas roupas, uniformes, bonés, hidratantes e repelentes. Tem os cachorros que ficam soltos e correm muito, tem as crianças que ficam do lado de dentro num pedaço da praça gradeada guardadas de qualquer ameaça justamente para que os cachorros e os que não têm nada a ver não entrem e assustem as babás e as mães. Tudo bonitinho, organizadinho. E no fundo tão, mas, tão simples. Afinal, ao que se resume uma pracinha?

Árvores, um pouco de grama, uns bancos para os mais velhos, um escorregador, alguns balanços e para os mais privilegiados um tanque de areia e uma quadrinha de futebol. Se pegar um terreno baldio, convencer o dono, que é bom ter uma pracinha no bairro, se fizer um mutirão e a Prefeitura ajudar, se for à Secretaria de Meio Ambiente e pedir as árvores certas para plantar naquele chão, em pouco tempo muitas pessoas vão brincar e conversar à vontade até anoitecer. Falando assim parece tão lógico, né? Já pensou no domingão uma pelada sem atrapalhar ninguém? Já pensou que delícia dar 10, 20 voltas e se sentir mais jovem, saudável, magrinho?

Pracinha é quase que nem igreja: as pessoas vão procurando um milagre e o milagre acontece. Tava chateado, não tá mais. Tava com ressaca de tanto cigarro que fumou, não tá mais. Os bichos então, nem se fala, de tanto que correm e latem.

Tem água numas latas que alguém coloca, tem informação sobre cachorrinho sumido. E tem muita história, fofoca, risada, abraço. Gente que viaja, some por um tempo e reaparece. E tem o cafezinho que a gente vai tomar na casa de quem convida.

Luna Alkalay

Filósofa, de Milão, naturalizada brasileira e paulista de alma

lunaalkalay@hotmail.com

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