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Reforma da Previdência de Temer deve ficar com outro presidente

04/12/2017 8:25 AM / Editorial / Atualizado em 04/12/2017 8:25 am

A aprovação da Reforma da Previdência, uma das principais bandeiras do Governo de Michel Temer, pode ficar nas mãos de outro presidente. O atual clima de instabilidade do cenário político, além da proximidade das eleições, deixa bem clara esta situação, pois, nenhum político ou partido quer ver sua imagem atrelada à aprovação de uma proposta que é rechaçada pelos trabalhadores – os principais interessados na decisão.

Uma enquete realizada pelo jornal Folha de S. Paulo mostrou que ao menos 212 parlamentares pretendem votar contra a aprovação da reforma – que precisa da adesão de 308 políticos para “passar”, pois se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Mas é importante não se iludir com a resistência da classe política em aprovar a proposta, pois isso não se deve à preocupação dos parlamentares para com a população e, sim, com seus próprios interesses eleitoreiros, já que, no ano que vem, serão escolhidos os novos manda-chuvas do País. Além de presidente e vice, votará-se ainda em deputado federal e senador, assim como em deputado estadual e governador.

O receio dos políticos que, eventualmente, votarem favoravelmente à reforma se deve ao fato de as centrais sindicais prometerem expor os nomes dos parlamentares que endossarem a proposta apresentada pelo Governo que, mesmo “mais enxuta”, determina a idade mínima de 65 anos para homens e 62 para as mulheres se aposentarem – além de estabelecer 40 anos de contribuição para que o pagamento da Previdência seja de 100%.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reconheceu a iminente derrota – caso a proposta de fato seja votada ainda neste ano. “Se não tiver voto, não vamos marcar a data. A base não está articulada como deveria”, declarou.  O texto em questão pode ir à votação na Câmara nesta quarta-feira, 6, mas, caso ocorra, será para “cumprir tabela”. Temer até tenta, mas este abacaxi provavelmente será descascado por outras mãos, em um futuro incerto.

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