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Semana curta vai deixar a classe política em marcha ainda mais lenta

04/09/2017 9:50 AM / Editorial / Atualizado em 04/09/2017 9:50 am

A semana promete ser curta para os brasileiros, e também para a classe política, por causa do feriado de 7 de Setembro – que celebra a Independência do Brasil, decretada por Dom Pedro I às margens do Rio Ipiranga, em 1822. A tensão no campo político fica por conta da apresentação de uma segunda denúncia-crime do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB), até quarta-feira. A necessidade de a Câmara se reunir novamente para votar o afastamento do peemedebista deve travar a pauta também nas próximas semanas para os assuntos de interesse do Governo.

Em tese, a rotina vai se manter nos próximos três dias, pois grande parte das pessoas vai emendar o feriado. Segundo a programação da Câmara dos Deputados, os parlamentares já oficializaram o feriadão deles também. A Casa divulgou a agenda de hoje, amanhã e de quarta-feira. Cabe saber se haverá quórum para que tudo de fato se concretize.

Refletindo sobre a semana passada, em que lideranças defensoras dos interesses de Temer viajaram com ele à China, é possível vislumbrar, para os próximos dias, uma expectativa de marasmo dos trabalhos legislativos. Por falta de quórum, por exemplo, não foi aprovada a autorização para o déficit de R$ 159 bilhões nas contas públicas, em 2017 e 2018.

As chances de os deputados irem, de fato, à Câmara somente para “cumprir tabela” é bem grande. Mas isso não implica que deixarão de trabalhar na defesa de seus interesses, articulando-se nos bastidores até o retorno de Temer e sua comitiva. Com a interrupção temporária da repetida pauta de votações e debates do Legislativo, pode ser que outros temas relevantes consigam ser relembrados e refletidos em outras esferas. Que essa “independência” de uma semana das reformas contribua para a conscientização de que a vida dos brasileiros se faz bem longe de Brasília e seus gabinetes parlamentares.

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