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Senso crítico e exercício da dúvida são as principais armas contra boatos

01/11/2017 9:14 AM / Editorial / Atualizado em 01/11/2017 9:14 am

As eleições de 2018 parecem ainda longe, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ministério da Defesa e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já estão trabalhando para criar barreiras contra a indústria de notícias falsas (as populares fake news), que se estabeleceu no País. Segundo matéria publicada ontem, em O Estado de S. Paulo, funcionários do tribunal chegaram inclusive a se reunir com Facebook e Google, buscando elaborar estratégias para evitar esta praga que se assenhora cada vez mais dos meios digitais.

Em 2014, este setor já demonstrou sua força como ferramenta de influência e manipulação. Fez o mesmo nas eleições francesas e norte-americanas, em que a guerra de informações atingiu quase todos os lados da disputa, em especial Emmanuel Macron, que foi acusado de ser dono de uma offshore (conta em paraíso fiscal) nas Bahamas.  E o pior é que, quando se trata de notícias falsas, sua disseminação é oito vezes mais rápida do que a correção, conforme uma pesquisa da American Press Institute. No geral, as pessoas se sentem mais impelidas a divulgar informações sensacionalistas, cujo acesso foi tido por um autor anônimo e não por um profissional “vendido” de uma grande empresa jornalística. Na verdade, não são muitos os que se preocupam com a fonte da notícia, passando por chato os poucos que ousam desmentir algo que já foi compartilhado por milhões.

Já vai longe 2014. De lá para cá, os sistemas se sofisticaram e muito mais gente entrou na internet e teve acesso às redes sociais e aos aplicativos, tornando a prática ainda mais viável. Daí mais um motivo para se preocupar e serem bem-vindas iniciativas como a do TSE, Defesa e Abin para tentarem conter os estragos que boatos maliciosamente espalhados podem causar. Difícil é acreditar que eles consigam seu intento em um país em que alguns fatos são tão absurdos que até parecem mentiras, mas não são. No entanto, mais importante que um superfiltro tecnológico que separe o joio do trigo é a ação da sociedade de exercer a crítica, o questionamento e a dúvida para romper a névoa que separa o boato da verdade. E nisso, claro, a imprensa pode ser uma importante parceira.

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