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Tabagismo atinge quase 20 milhões de brasileiros

11/10/2017 10:07 AM / Patrícia Morgado / Atualizado em 11/10/2017 10:16 am

Nos últimos dez anos, o Brasil reduziu em 35% o número de fumantes. Apesar da queda expressiva, há pouco a se comemorar. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocam o País em oitavo lugar em número de fumantes, em âmbito mundial. São mais de 11,1 milhões de homens e 7,1 milhões de mulheres.

Outro levantamento, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mostra números ainda mais alarmantes. De acordo com a instituição, diariamente ocorrem 428 óbitos, em média, por conta do cigarro, cômputo que, anualmente, chega a mais de 156 mil mortes. “O tabagismo causa cerca de 60 doenças e a principal delas é o câncer, que pode ocorrer em muitos lugares, não só no pulmão. Isso porque existe na composição do cigarro uma mistura complexa chamada alcatrão, que contém mais de 80 substâncias cancerígenas”, explica Igor Bastos Polônio, professor de Pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e da Universidade Anhembi Morumbi.

Não é fácil, mas não impossível

Durante reuniões de grupos que pretendem largar o cigarro, caso seja necessário, profissionais associarão o uso de medicamentos, como a reposição de nicotina (via adesivo e goma de mascar) e o uso de antidepressivos, que atuam no sistema nervoso central. “A fissura dura em média três minutos. Depois de três semanas, se o paciente acompanhar as reuniões e seguir o tratamento corretamente, a fissura não mais ocorre”, diz Dr. Polônio, professor de Pneumologia da Santa Casa e da Universidade Anhembi Morumbi. O pneumologista comenta que a amenização dos sintomas ocorre após algumas horas com a melhora do fôlego, sono, disposição e sensação dos odores e gosto da comida. “Às vezes, pode ocorrer durante o processo uma tosse com catarro. É como se o organismo estivesse fazendo uma limpeza do pulmão”, descreveu o médico. “Os tratamentos geralmente duram de três a seis meses. Uma vez que a dependência existe, não se pode correr o risco de experimentar de novo, pois o risco de voltar a fumar é muito grande. Parar de fumar deve ser algo definitivo”, finaliza Rodrigo Abensur Athanazio, do Incor.

80% dos fumantes iniciam o vício na adolescência

Além dos diversos tipos de cânceres, o tabagismo pode provocar enfisema pulmonar, entupimento das artérias – com risco de doenças como infarto e acidente vascular cerebral –, bronquite crônica, entre outras patologias. As pessoas que nunca fumaram, mas que mantêm contato diário com fumantes, também podem desencadear doenças provocadas pelo cigarro. “O tabagismo passivo ocorre por conta das partículas finas que os fumantes jogam no ar. Os casos de cânceres de pulmão em mulheres que nunca fumaram, por exemplo, aumentaram muito. O ambiente livre de tabaco é importante e a exposição crônica pode resultar em câncer”, afirmou Igor Bastos Polônio, professor de Pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa.

O tabagismo é considerado uma doença pediátrica, visto que 80% das pessoas iniciam o hábito ainda na adolescência. Por conta disso, o pulmão – um dos órgãos mais agredidos – deve ser avaliado minuciosamente, principalmente nas pessoas que fumam há mais de 20 anos ou que possuem mais de 50 anos de idade. No arsenal de procedimentos utilizados pelo pneumologista na investigação estão o exame de raios X de tórax e a espirometria (prova de função pulmonar), que permite verificar como está a capacidade dos pulmões. “Todo mundo que fuma por tempo superior a dez anos tem indicação para fazer [a espirometria]. É um exame simples, que se faz sem anestesia, onde o paciente enche os pulmões e solta, para medirmos o sopro”, explicou o especialista.

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