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Temer enfrentou um furacão, que se tornou uma tempestade tropical

12/09/2017 9:01 AM / Editorial / Atualizado em 12/09/2017 9:01 am

O cenário está favorável para o presidente Michel Temer. Ele, que se jogou no olho de um furacão político com força superior a qualquer Harvey ou Irma, parece ter dominado as causas e ações que tentaram varrê-lo do poder e tem se fortalecido. Aos poucos, foi desconstruindo seus antagonistas a ponto de agora vê-los se apequenarem. Os que antes o atacaram agora têm de se defender para se manterem em pé ou livres do Complexo Penitenciário da Papuda. Assim, o outrora furacão caminha cada vez mais para se converter em uma tempestade tropical. Ainda vai causar um estrago aqui ou ali, mas nada que não consiga ser reconstruído.

Joesley Batista, Ricardo Saud, Rodrigo Janot estão aprendendo, de modo quase didático, que, no Brasil, quem realmente dá as cartas é quem detém o poder político. Uma fala menos cuidadosa ou uma foto indevida são armas poderosas contra as pessoas certas. Na base inversa, pouco vale o conjunto de declarações e delações ou o dinheiro de fonte ilícita, se do outro lado tem alguém ou um grupo que é capaz de impor sua vontade sobre os demais. Joesley comprou favores e pagou devidamente por eles, confessou tais crimes e não foi preso por isso. Mas, cometeu um deslize trivial: falar demais e das pessoas erradas: os ministros do STF. Seu destino mudou.

Assim, neste feriado prolongado, Temer deve ter comemorado com aqueles que lhe são mais próximos. Faltaram alguns, claro! O emotivo Geddel Vieira Lima, por motivos óbvios, foi um deles. O baiano seguiu na frente para preparar o caminho para a chegada de Joesley e Saud à Papuda (por enquanto, os homens da J&F ficarão detidos na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília). Lúcio Funaro, também não! Nem Rodrigo Rocha Loures, por estar recluso em prisão domiciliar e monitorado via tornozeleira eletrônica. Mas, perdas à parte, os ventos são favoráveis ao presidente, que sai fortalecido da lambança da qual é protagonista. Agora tem a bênção do mercado, que, depois da reviravolta do Caso JBS, das vitórias no Congresso e dos dados econômicos positivos, dá fé de que este é o governo com o qual o Brasil atravessará 2018.

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