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Triste o País cujo destino está nas mãos de um Congresso como o nosso

19/05/2017 9:27 AM / Editorial / Atualizado em 19/05/2017 9:27 am

O Brasil voltou a sangrar e a palavra de ordem é buscar um nome de consenso para conduzir o País depois da saída de Michel Temer, se é que ele sairá. Mas quem seria este nome? Quem poderá sentar na cadeira presidencial e ter o apoio – ainda que somente por um período de transição e até a superação desta crise sem fim – da direita e da esquerda, de quem é a favor da Lava Jato e de quem é contra, de quem disse “Fora Dilma” e de quem quis que ela ficasse?

Das opções apresentadas ao presidente Temer, uma delas ele recusou veementemente ontem: a renúncia. Agora restam a cassação e o impeachment. O primeiro caminho será via Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidirá, em 6 de junho, se haverá cassação ou não da chapa Dilma-Temer. O segundo é mais complicado e mais demorado. Para que o chefe do Executivo seja impedido e afastado será preciso aprovação de dois terços da Câmara e, em seguida, a ratificação da maioria do Senado. Nos dois desfechos, assumiria o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que convocaria eleições indiretas, com votos apenas dos deputados federais e senadores.

Triste o País cujo destino está nas mãos de Maia e de um Congresso como o nosso. O presidente da Câmara, identificado como “Botafogo” nas planilhas da Odebrecht, também está implicado na Lava Jato, por recebimento de propina para favorecer a aprovação de uma medida provisória de interesse da construtora. Em todo Congresso, 39 dos 513 deputados federais e 24 dos 81 senadores estão implicados por conta da delação da Odebrecht. Assim é temeroso deixar que decisão tão sublime recaia sobre figuras que, embora eleitas pelo voto popular, são tão desconectadas dos interesses da nação. Eleição direta? E se Lula se candidatar e levar de barbada? Confusão à vista. Há de surgir um nome de consenso, que possa conter a sangria que drena a força do povo e a riqueza desta nação. Seria a presidente do Supremo, Cármen Lúcia? O ex-ministro desta mesma corte, Joaquim Barbosa? Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça e da Defesa? De onde virá o nosso socorro?

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