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Uma alternativa ao fracasso do Ensino Médio do Estado de SP

27/11/2017 8:34 AM / Editorial / Atualizado em 27/11/2017 8:34 am

O Ensino Médio é uma das etapas mais críticas no processo de educação no Brasil. Nesta última fase da educação básica, quando se deve aprofundar e complementar os saberes angariados no ensino fundamental, o aluno deve ser preparado para as etapas posteriores da vida, o que inclui desenvolver o pensamento crítico e produzir conhecimento, ao invés de, simplesmente, reproduzi-lo. Mas, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), há pouco para se comemorar nesta fase do ensino. A meta estabelecida para este grupo, nota de 4,3, não vem sendo atingida e, pior, encontra-se estagnada desde 2011, em 3,7.

A isso se junta uma dura realidade que aponta que 1,7 milhão de brasileiros de 15 a 17 anos estão fora da escola e que o índice de reprovação e abandono escolar neste ciclo é de quase 30%. São Paulo também faz parte dos Estados que não cumprem a meta para a etapa, considerando apenas as escolas públicas. Daí serem bem-vindas ideias que buscam fazer alguma coisa para mudar este triste cenário. Na quinta-feira, 23, por exemplo, o governador Geraldo Alckmin apresentou um projeto no qual está disposto a pagar até R$ 17,8 milhões a uma organização privada vencedora de concorrência pública, da qual se exigirá ações para melhorar o Ensino Médio em 61 escolas selecionadas em áreas vulneráveis da RMSP.

O pagamento dependerá de resultados claros: avanço de sete pontos percentuais na taxa de conclusão do curso e de cinco pontos no índice de aprovação, em relação a um grupo controle e não participante do projeto. Esta empresa ainda terá de garantir maior envolvimento das famílias na vida escolar dos alunos, criar mecanismos de motivação do estudante e oferecer ferramentas de melhoria da gestão das unidades. O desafio é dos mais salutares e só será colocado em prática no segundo semestre de 2018. É, como bem disse o secretário da Educação, Renato Natalini, “uma alternativa para o fracasso”. Se vai funcionar, não se sabe. Mas não é possível cruzar os braços diante de uma tragédia nacional que urge por solução. No mínimo, é uma tentativa válida, para a qual não vai faltar torcida para que dê certo.

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