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Uma tragédia política fluminense que, infelizmente, é a cara do Brasil

23/11/2017 9:58 AM / Editorial / Atualizado em 23/11/2017 9:58 am

A lista de governadores recentes do Estado do Rio de Janeiro está cheia de notas de rodapé. Elas servem para explicar aos leitores menos atentos à atual condição de alguns destes políticos, que,  geralmente, estão presos, cassados ou sob a acusação de corrupção. O último capítulo desta triste história política de um dos entes mais importantes da Federação continuou a ser escrito ontem, com a prisão do casal Anthony e Rosinha Garotinho, que, juntos, estiveram à frente da gestão fluminense por seis anos. Garotinho assumiu em 1999, ainda pelo PDT. Mudou de partido, para o PSB, e, no auge de sua popularidade, deixou ou cargo para concorrer à Presidência da República, em 2002. Rosinha foi eleita em 2003 pelo PSB, migrando depois para o PMDB.

A trajetória do poder no Rio é de envergonhar qualquer cidadão decente. Quase todos os homens públicos que chegaram ao Palácio da Guanabara, sede oficial do governo estadual, nas últimas duas décadas, estão implicados com a Justiça. Rosinha e Garotinho se juntam a Sérgio Cabral (governador entre 2007 e 2014) e Luiz Fernando Pezão (eleito em 2014). Cabral está preso por conta de diversos crimes de corrupção praticados durante e após o seu mandato. Pezão foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), juntamente com o seu vice, Francisco Dornelles, por abuso de poder econômico e político. Como cabe recurso, seguem com os seus cargos até que não haja mais apelação cabível.

O que está acontecendo no Rio lembra muito o que já ocorreu no Distrito Federal, que também viu alguns dos seus governadores acusados por crimes de corrupção, como é o caso de Joaquim Roriz, José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz e Paulo Octávio. O primeiro viu a acusação por desvio de dinheiro prescrever. Os últimos três tiveram, como os colegas fluminenses, passagens pela detenção. O importante é que tudo isso sirva para alguma coisa. Não é admissível que a história de desmandos siga a acontecer governo após governo e que a prisão sirva apenas de passagem e não de destino. Isso explica o caos que vive o Estado do Rio de Janeiro, mergulhado em uma crise política e financeira que não tem fim.

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