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Vereador pastor é condenado por cobrar o ‘dízimo’

06/04/2017 9:38 AM / Eurico Cruz / Atualizado em 07/04/2017 9:55 am

O ex-vereador e ex-pastor Edno Campagnucci foi condenado a 16 anos e oito meses de reclusão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) por cobrar “dízimo” de seus assessores. O mandado de prisão foi expedido no dia 20 de fevereiro, mas o político ainda não foi localizado e já é considerado procurado, segundo apurado pela reportagem.

Segundo o acórdão, Edno chegou a nomear dois laranjas como seus assessores para usar o salário deles no pagamento de um imóvel que havia adquirido em Arujá. Os cartões dos funcionários fantasmas ficavam com o dono do imóvel, que sacava o dinheiro no dia do pagamento. O político ainda mantinha o cartão de outros cinco funcionários sob tutela para sacar o salário. Se o contratado realmente trabalhasse, teria de aceitar ainda ceder de 30% a 50% de seus vencimentos ao vereador.

Quem fosse indicado na Prefeitura tinha de pagar 20%.

Campagnucci foi eleito em 2000, com 6.043 votos pelo extinto Partido Liberal (PL), com apoio da igreja Universal à época. Em 2003, no ápice do escândalo, Campagnucci teve de renunciar ao cargo para não ser cassado pelos demais companheiros do Legislativo, conforme proposto por Abdo Mazloum. Em 2006, ainda tentou se eleger deputado estadual pelo PSC, mas obteve apenas 281 votos nominais e não conseguiu uma cadeira no Legislativo estadual.

Foragido – Campagnucci não faz contato nem com a própria advogada (Foto: Reprodução / Facebook)

Defesa e igreja não tem mais contato

Segundo a advogada de defesa de Campagnucci, Cristiane Cau, designada pela Defensoria Pública, disse que não sabe o paradeiro dele e que durante todo o tempo que cuidou do caso teve de fazer a defesa por meio do que consta nos autos do processo.

Já o vereador e pastor da Universal João Barbosa (PRB) disse que depois do desvio de conduta de Campagnucci ele foi retirado do quadro de pastores da igreja. “Ele pode ser membro da igreja porque não proibimos ninguém de ir à igreja, mas nem isso mais ele é”, disse.

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